No primeiro trimestre, o lucro combinado do Bradesco, Itaú Unibanco e Santander foi de R$ 11,5 bilhões, uma forte – e inédita – queda de 30,6% ante o mesmo período de 2019.

Para esse resultado o Bradesco contribuiu com R$ 3,7 bilhões (redução de 39,8%) e o Itaú com R$ 3,9 bilhões (queda de 43%). Já o lucro de R$ 3,8 bilhões do Santander, representou uma alta de 10,5%.

Por que essa diferença no resultado do Santander em relação aos do Bradesco e Itaú?

O fator que mais contribuiu para a forte queda nos lucros do Bradesco e Itaú foi o impacto do aumento das despesas líquidas com provisões contra devedores duvidosos (PDD). Em comparação com o primeiro trimestre de 2019, as despesas com PDD do Bradesco e do Itaú aumentaram 86,1% e 147,2% respectivamente, enquanto que no Santander a alta foi de apenas 19,2%.

A expectativa de um grande aumento da inadimplência nos próximos meses e com ela a disparada da aversão ao risco refletida no volume de provisionamento do Bradesco e Itaú não é (ainda?) compartilhada pelo Santander.

Uma redução do volume de empréstimos e aumento dos spreads e, portanto, dos juros para o tomador serão as consequências imediatas na ponta. Ou seja, o crédito será mais difícil e mais caro.

Como resultado da racionalidade econômica e da regulação prudencial, a reação pró-cíclica da banca privada contribuirá para o aprofundamento da crise econômica, e com ela da inadimplência. Uma profecia que se auto-realiza.

E os bancos públicos?

Em tempos de pandemia e de profunda crise econômica e social (e de revalorização do papel do Estado) cabe aos bancos públicos uma forte atuação anti-cíclica coerente com o papel que eles devem desempenhar na economia e na sociedade brasileira.

Deixe um Comentário