Nos diagnósticos das fragilidades e desafios enfrentados pelos pequenos negócios brasileiros preponderam duas causas: o ambiente legal e a precariedade de conhecimentos e habilidades em gestão dos empreendedores. Consequentemente, mudanças no ambiente legal, para torna-lo mais favorável ao empreendedorismo, e processos de capacitação empresarial são fundamentais para superar as dificuldades do segmento em nosso país.

Entretanto, como sói acontecer, não existem respostas simples para problemas complexos. Uma estratégia eficaz na superação do quadro de fragilidades dos pequenos negócios passa, necessariamente, por um diagnóstico preciso e rigoroso do conjunto de fatores determinantes das limitações enfrentadas por esse segmento empresarial. Dito de outra forma: melhorias no ambiente legal e ganhos de qualidade na gestão são necessárias e importantes indutores do desenvolvimento dos pequenos negócios, mas insuficientes para uma mudança substantiva e permanente da atual situação.

Os fatores determinantes da competitividade dos pequenos negócios são múltiplos e complementares. Ao ambiente legal, somam-se fatores intrafirma que possibilitam uma gestão eficiente voltada para uma estratégia de inserção no mercado que impulsionem suas vantagens e minimizem suas desvantagens competitivas.

Lançando mão da analogia popular: treino é treino, jogo é jogo. Estabelecidas as regras (o ambiente), o jogo é ganho em campo (mercado) pelos jogadores (empresas) e equipes (cadeias de valor) mais competitivas.

Mecanismos de fomento da competitividade e sustentabilidade dos diferentes subsegmentos dos pequenos negócios devem, necessariamente, considerar essa hierarquia ditada pelo mercado.

Políticas e ações de fomento aos pequenos negócios brasileiros enfrentam, portanto, o desafio de desenvolver estratégias que incentivem e viabilizem:

1) o direcionamento dos pequenos negócios para nichos específicos de mercado;

2) uma maior participação de pequenos negócios em cadeias produtivas lideradas por grandes empresas que atendem segmentos de mercado com produtos e serviços de massa padronizados e, consequentemente,

3) uma redução do número de pequenos negócios voltados para mercados de produtos e serviços padronizados de massa.

Um grande e instigante desafio que diz respeito, em primeira linha, ao Sebrae. Consolidar o Programa Nacional de Encadeamento Produtivo em todo o território nacional, além de corresponder a racionalidade econômica acima exposta, possui relevância estratégica intrinsecamente ligada ao modelo de financiamento da entidade.

Ao fornecer assistência técnica aos pequenos negócios de suas cadeias produtivas, o Sebrae beneficia as médias e grandes empresas que o financiam por meio de contribuição compulsória. O que é bom para todas as empresas envolvidas e para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

* Resumo de artigo publicado em

SANTOS, C. A. A centralidade do mercado no fomento dos pequenos negócios. In: Santos, C. A. (Org.). Pequenos Negócios. Desafios e Perspectivas. Encadeamento Produtivo. Brasília: Sebrae, 2014, v. 6, p. 22-31.

Disponível no sítio http://bit.ly/23510mR

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/centralidade-do-mercado-fomento-dos-pequenos-neg%C3%B3cios-dos-santos/

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