Stiglitz e Weiss (1981) demonstram que uma distribuição assimétrica de informações entre o cliente e o agente financeiro impede que a variação da taxa de juros seja suficiente para garantir o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado de crédito.

O modelo de Stiglitz e Weiss (1981) tem como premissa básica a correlação positiva entre risco e rentabilidade (alto risco/alto retorno, baixo risco/baixo retorno) do projeto a ser financiado. Com isto, elevações das taxas de juros inviabilizam projetos de menor risco e induzem a atração de projetos de maior risco (seleção adversa). O resultado é um aumento da inadimplência e diminuição da rentabilidade da carteira de crédito. Em reação, uma vez alcançada o nível da taxa de juros que possibilita a maximização dos seus lucros, o agente financeiro raciona a oferta de crédito para aqueles clientes, cujos custos de contratação resultem numa redução da rentabilidade de sua carteira de crédito.

Como os elevados custos de operações de crédito de pequena monta implicam uma taxa de juros acima do nível que maximiza os lucros do agente financeiro a oferta de crédito para o segmento de pessoas jurídicas de micro e pequeno porte (MPE) é racionada. Uma consequência lógica da racionalidade econômica de agentes financeiros na busca da maximização de seus lucros. No mercado de crédito, o mecanismo de preços não leva ao equilíbrio entre oferta e demanda, mas sim a um non-market clearing equilibria (Stiglitz e Weiss 1981).

Uma análise do mercado de crédito não deve partir do modelo de mercado de concorrência perfeita, cujo mecanismo de preços, no livre jogo entre a oferta e a demanda leva ao equilíbrio de mercado.

No segmento MPE dos mercados de crédito, o problema da distribuição assimétrica de informações é ainda mais grave devido à baixa qualidade das informações oriundas de uma gestão financeira frequentemente deficiente e com alto grau de informalidade dos pequenos negócios, dificultando a elaboração de scores confiáveis a um custo razoável.

Frente a esta situação, os agentes financeiros comerciais adotam diversas estratégias. Eles podem definir uma lista de atividades características das MPE que não são financiáveis e/ou financiar somente operações de capital de giro, de curto prazo e menor risco. Outra prática muito disseminada é a “reciprocidade”. Para compensar a baixa rentabilidade da operação o acesso ao crédito é condicionado à compra de produtos mais rentáveis para o banco (aplicações financeiras, cartões de crédito, seguros, títulos de capitalização, etc.).

A concessão de crédito no segmento MPE é sempre um grande desafio para todos os agentes financeiros. Entretanto, por não perseguir o objetivo de maximização dos lucros as Cooperativas de Crédito contam com um grau de liberdade maior para desenvolver estratégias inovadoras para atuar neste segmento.

A magnitude deste desafio revela-se de forma concreta no cotidiano da instituição financeira, cujos processos de análise, avaliação e contratação de crédito são constituídos de duas fases distintas e complementares.

Primeiramente, é realizada a identificação e mensuração da capacidade de pagamento (de endividamento) do demandante. Superada esta fase, o tomador do crédito apresenta as garantias exigidas pela instituição financeira. Além de liquidação da dívida no caso de inadimplência, a oferta de colateral em operações de crédito revela a confiança do empresário no projeto a ser financiado, através de sua disposição de ressarcir o agente financeiro no caso de insucesso do projeto.

Somente com as duas condições atendidas, é realizada a contração do crédito, o qual (nunca é demais repetir) imediatamente se transforma em dívida para o tomador, que vinculam e condicionam as garantias oferecidas até a sua liquidação.

Em um mercado ideal, onde todas as informações são conhecidas, não haveria riscos na contratação de crédito, tornando dispensável o uso de colateral. Todos os riscos seriam previsíveis e somente projetos viáveis seriam financiados.

Nos mercados de crédito reais, com distribuição assimétrica de informações, garantias é uma condição necessária, ainda que insuficiente para a obtenção de crédito. Aqui reside a importância das Sociedades de Garantias de Crédito.

Sociedades de Garantias de Crédito não substituem a análise de risco da operação pela instituição financeira; o seu papel é o de mitigar riscos e reduzir custos, facilitando o acesso ao crédito para empresas com projetos viáveis, mas com insuficiência de garantias.

 

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/assimetria-de-informa%C3%A7%C3%B5es-risco-cr%C3%A9dito-e-garantias-dos-santos/

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