A grande expansão dos canais de distribuição e do volume de crédito para pessoas físicas, ocorrida no Brasil na última década, não foi acompanhado com a mesma intensidade no segmento pessoa jurídica de pequeno porte.

As dificuldades de acesso dos pequenos negócios ao crédito no Brasil já foram demonstradas em inúmeras pesquisas e faz parte do dia-a-dia dos empreendedores em todo o país. Esta limitação do sólido e eficiente Sistema Financeiro Nacional é objeto de muitos debates, reflexões e iniciativas governamentais ao longo das últimas décadas.

A atual crise econômica e a grande aversão ao risco dela derivada piora ainda mais este quadro. Abstraindo da difícil situação conjuntural, como avançar para superar as dificultadas de acesso ao crédito por parte dos pequenos negócios?

Em primeiro lugar, abandonar a crítica fácil centrada na ”má vontade” dos bancos em financiar pequenas empresas (e as propostas que delas derivam) e apostar no desenvolvimento de estratégias que levem em conta a racionalidade econômica, tanto do lado da oferta quanto do lado da demanda no mercado de crédito.

A grande assimetria de informações entre agente financeiro e pequenas empresas, os altos custos da operação e a insuficiência de garantias resultam em elevada percepção de risco por parte do agente financeiro, que inviabilizam ou dificultam e encarecem substancialmente o acesso ao crédito pelos pequenos negócios.

Avanços substantivos na agenda de aumentar a oferta e reduzir os custos para o enorme, diverso e pulverizado contingente dos pequenos negócios requerem estratégias de desenvolvimento de produtos creditícios, canais de distribuição, segmentação, fidelização e mecanismos alternativos de garantias (Fundos de Aval e Cooperativas de Garantias de Crédito). O que, por sua vez, pressupõe investimentos em tecnologias e recursos humanos, mudanças na cultura organizacional e no posicionamento de mercado dos agentes financeiros que pretendam atuar neste segmento de mercado.

Neste contexto, a longa tradição de crédito dirigido (e suas fontes de funding privilegiadas e taxas subsidiadas) não demonstrou ser uma alternativa viável para alterar substancialmente a crônica restrição de acesso ao crédito por parte do segmento PJ de pequeno porte.

Por outro lado, para o empreendedor, mais importante que um eventual subsídio é poder contar com uma fonte permanente de crédito compatível com as suas necessidades e possibilidades.

Mecanismos de mercado devem ser fortalecidos, não substituídos. Os problemas de financiamento e capitalização dos pequenos negócios só podem ser resolvidos, de fato, no âmbito do sistema financeiro. Fora deles, as alternativas serão sempre paliativas e insuficientes.

Por fim, há que se evitar que o crédito seja visto como uma panaceia.

Crédito não cria oportunidade, apenas as viabiliza. Problemas de gestão e falta de competitividade dos pequenos negócios não podem ser solucionados por meio de endividamento. Crédito é dívida. E endividamento não é solução para tudo. Ao contrário, ele pode ser o caminho mais curto para transformar deficiência de gestão em graves problemas financeiros.

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/cr%C3%A9dito-para-os-pequenos-neg%C3%B3cios-o-duplo-desafio-de-e-dos-santos/

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