Home office em debate
Estamos apenas no começo das mudanças econômicas e sociais geradas no bojo da pandemia da Covid-19.
O home office é uma delas, cujo potencial e desafios estão sendo ainda identificados através de tentativa-e-erro – como bem demonstra a recente declaração do presidente do Santander a respeito. Guardadas as importantes diferenças, este debate guarda algumas semelhanças com o que ocorreu nos anos 90 sobre outsourcing e lean production na indústria.
Que tarefas e funções podem/devem ser realizadas remotamente?
Como desenvolver e estabelecer métodos e processos adequados ao home office nas diferentes indústrias e modelos de negócios?
Quais serão os ganhos de produtividade e a redução de custos para empresas e empregados com o home office?
Como a legislação trabalhista irá recepcionar essas mudanças?
E por último, mas não menos importante, como isto tudo irá impactar na cultura corporativa?
Neste momento, mais importante que respostas apressadas e precárias são as perguntas que devem balizar a reflexão e a experimentação prática com diferentes abordagens e estratégias de implementação do trabalho remoto.
Dois ou três aspectos a considerar:
1- Ao trabalhar tipo home office, durante o isolamento social imposto pela pandemia, a impressão que se têm após três meses é que ficamos mais tempo ocupados, mesmo que se tenha um horário de trabalho, e proporcionalmente o resultado do dia nem foi tão produtivo assim. Então, cansa muito. Ao longo dos meses, até a visão começa a dar sinais de estresse. Vamos demandar oftalmologistas para orientar sobre o que fazer para inibir ou prevenir o estresse óptico
2-Também o impacto do teletrabalho vai além das questões tecnológicas. Os modelos mentais precisam mudar. A reunião semanal presencial para planejar a semana e orientar a sua equipe pode ser feita sim a distância, e todos vão se adaptar à nova forma de interagir: um fala, os outros ouvem em silêncio, e só depois você fala. O esforço inicial será grande, mas não dá pra se acomodar e ficar sem reunir a equipe, nem que seja com subgrupos, para começar.
3-Tudo é possível!!
Excelente comentário, Tecris.
São muitos aspectos envolvidos no debate sobre o potencial e os desafios, o que reforça a necessidade de ampliar o escopo do debate. E, como sempre: não resposta simples para problemas difíceis. Abraço, cuide-se!